Buson recebe R$ 200 milhões e aposta em inteligência artificial para transformar o transporte rodoviário
Uma empresa brasileira que começou há cerca de 13 anos com uma proposta simples — vender passagens de ônibus pela internet — agora faz parte de um grupo global de tecnologia que pretende transformar a forma como o transporte rodoviário vende, distribui e administra seus serviços.
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9/24/20263 min read


Uma empresa brasileira que começou há cerca de 13 anos com uma proposta simples — vender passagens de ônibus pela internet — agora faz parte de um grupo global de tecnologia que pretende transformar a forma como o transporte rodoviário vende, distribui e administra seus serviços.
A Buson, criada originalmente como Guichê Virtual por três engenheiros ligados ao Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), integra atualmente a Terra Mobility, grupo com sede em Montreal, no Canadá. A companhia anunciou um financiamento de US$ 40 milhões, aproximadamente R$ 200 milhões, concedido pela Vista Credit Partners. Os recursos serão utilizados para desenvolver tecnologia, ampliar aplicações de inteligência artificial e avaliar novas aquisições.
A operação coloca uma empresa que nasceu no mercado brasileiro dentro de uma estratégia internacional voltada à digitalização do transporte terrestre. Além da Buson, a Terra Mobility reúne a Busbud, plataforma global de viagens terrestres, a chilena Recorrido e o TerraOS, sistema desenvolvido para operadores de transporte.
Da rodoviária para a inteligência artificial
A trajetória da Buson acompanha uma mudança significativa no comportamento de quem viaja de ônibus. Se, no passado, comprar uma passagem significava ir até uma rodoviária ou acessar diretamente o site de uma viação, hoje a busca pode começar em um aplicativo, no WhatsApp ou até em uma conversa com uma ferramenta de inteligência artificial.
É justamente nesse movimento que a empresa pretende avançar.
A Buson já comercializa passagens por diferentes canais e passou a disponibilizar vendas também pelo ChatGPT. A estratégia é fazer com que o inventário das empresas — incluindo rotas, horários e assentos disponíveis — possa ser encontrado nos canais em que o consumidor realiza sua pesquisa.
Para a companhia, a inteligência artificial não representa apenas uma nova ferramenta de atendimento. Ela faz parte de uma mudança mais ampla na distribuição de produtos turísticos e de transporte, na qual o consumidor pode iniciar e concluir uma compra sem necessariamente acessar diretamente o aplicativo ou site de uma empresa.
Uma operação que vai além da venda de passagens
A Buson já vendeu mais de 100 milhões de passagens ao longo de sua história. Atualmente, a plataforma recebe mais de 2 milhões de acessos mensais, trabalha com mais de 300 viações e disponibiliza aproximadamente 140 mil rotas.
O próximo estágio da empresa, porém, está menos concentrado no consumidor final e mais na infraestrutura tecnológica das próprias viações.
A Terra Mobility pretende ampliar o TerraOS, plataforma que reúne recursos como emissão de bilhetes, gestão de inventário, distribuição, comércio eletrônico, gestão de receita e previsão de demanda. A ideia é oferecer às empresas de transporte uma estrutura capaz de conectar seus assentos e informações a diferentes canais de venda simultaneamente.
Essa mudança responde a uma transformação no próprio setor. As empresas de ônibus passaram a investir mais em sites e aplicativos próprios, enquanto marketplaces e outros canais digitais disputam o acesso ao consumidor.
Nesse cenário, a tecnologia que conecta os diferentes canais pode se tornar tão importante quanto o próprio marketplace.
Um mercado de bilhões de passageiros
A estratégia da Terra Mobility está inserida em um mercado de grande escala. Segundo a companhia, o transporte terrestre atende aproximadamente 10 bilhões de passageiros por ano no mundo, cerca de duas vezes o volume do transporte aéreo comercial. A empresa estima o mercado de transporte terrestre e marítimo em aproximadamente US$ 198 bilhões.
Com o novo financiamento, a companhia pretende acelerar o desenvolvimento do TerraOS, ampliar sua presença nos mercados em que já atua e realizar aquisições estratégicas.
A Buson, por sua vez, continuará operando no Brasil com sua própria marca e relacionamento com os consumidores, enquanto passa a integrar uma estrutura internacional de tecnologia para transporte terrestre.
A trajetória da empresa mostra como a digitalização de um setor tradicional pode abrir espaço para modelos de negócio que vão muito além da venda direta ao consumidor. O que começou como uma alternativa ao guichê de rodoviária agora busca se tornar parte da infraestrutura tecnológica que conecta empresas de transporte, passageiros e novos canais digitais.
E, nesse processo, a inteligência artificial aparece não apenas como ferramenta, mas como um novo ponto de entrada para o mercado de viagens.
*Imagem de capa gerada por IA.


